terça-feira, 29 de outubro de 2013
Quero-quero quando canta
Eu quero brincar. Eu quero cachorro-quente. Não quero mais comer. Eu quero uma bicicleta. Eu quero um dynavision. Não quero dormir. Não quero mais comer. Eu quero brincar la fora. Quero uma bola. Quero jogar bola. Quero jogar bola. Quero jogar bola. Não quero mais comer. Quero acabar o colégio. Quero saber o que fazer agora que acabei o colégio. Não sei o que quero. Quero ir pro exército. Não quero ir pro exército. Quero engenharia. Não quero cálculo. Quero dormir. Quero café. Não quero mais engenharia. Quero software. Quero viver sozinho. Quero paz. Quero algo pra comer. Quero café. Não quero mais software. Quero trabalhar. Quero independência. Não quero viver sozinho. Não quero viver contigo. Não quero mais cachorro-quente. Quero comer.
domingo, 6 de outubro de 2013
Bonsoir, meu bom senhor
Creria em ti, meu bom senhor,
se eu não fosse a teu
encontro
pro qual os dias conto
contra todos que em um livro
contam um conto e aumentam um ponto.
.
se eu não fosse a teu
encontro
pro qual os dias conto
contra todos que em um livro
contam um conto e aumentam um ponto.
.
domingo, 29 de setembro de 2013
Hey!
Apresso o passo
o cinza encobre tudo
todos correm
e eu estou longe de me preocupar.
Passo sempre pela mesma rua mas nem presto atenção, fico evitando as fendas na calçada.
Sei que é difícil expressar o simples
em tardes normais
sem filtros
só apressadas contemplações.
Tantos olhos feitos pra falar
Mas se calam
.
..
Veem o cinza e correm.
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
Dirty old man
Então queres ser um escritor?
Bukowski
se não sair de ti explodindo
apesar de tudo,
não o faças.
a menos que saia sem perguntar do teu
coração e da tua cabeça e da tua boca
e das tuas entranhas,
não o faças.
se tens que sentar por horas
olhando a tela do teu computador
ou curvado sobre a tua
máquina de escrever
procurando palavras,
não o faças.
se o fazes por dinheiro ou
fama,
não o faças.
se o fazes porque queres
mulheres na tua cama,
não o faças.
se tens que te sentar e
reescrever uma e outra vez,
não o faças.
se dá trabalho só pensar em fazê-lo,
não o faças.
se tentas escrever como algum outro escreveu,
não o faças.
se tens que esperar para que saia de ti
a gritar,
então espera pacientemente.
se nunca sair de ti a gritar,
faz outra coisa.
se tens que o ler primeiro à tua mulher
ou namorada ou namorado
ou pais ou a quem quer que seja,
não estás pronto.
não sejas como muitos escritores,
não sejas como milhares de
pessoas que se consideram escritores,
não sejas estúpido nem enfadonho e
pedante, não te consumas com auto-
-devoção.
as bibliotecas de todo o mundo têm
bocejado até
adormecer
com os da tua espécie.
não sejas mais um.
não o faças.
a menos que saia da
tua alma como um míssil,
a menos que o estar parado
te leve à loucura ou
ao suicídio ou homicídio,
não o faças.
a menos que o sol dentro de ti
te esteja a queimar as tripas,
não o faças.
quando chegar mesmo a altura,
e se foste escolhido,
vai acontecer
por si só e continuará a acontecer
até que tu morras ou morra em ti.
não há outra forma.
e nunca houve
Bukowski
se não sair de ti explodindo
apesar de tudo,
não o faças.
a menos que saia sem perguntar do teu
coração e da tua cabeça e da tua boca
e das tuas entranhas,
não o faças.
se tens que sentar por horas
olhando a tela do teu computador
ou curvado sobre a tua
máquina de escrever
procurando palavras,
não o faças.
se o fazes por dinheiro ou
fama,
não o faças.
se o fazes porque queres
mulheres na tua cama,
não o faças.
se tens que te sentar e
reescrever uma e outra vez,
não o faças.
se dá trabalho só pensar em fazê-lo,
não o faças.
se tentas escrever como algum outro escreveu,
não o faças.
se tens que esperar para que saia de ti
a gritar,
então espera pacientemente.
se nunca sair de ti a gritar,
faz outra coisa.
se tens que o ler primeiro à tua mulher
ou namorada ou namorado
ou pais ou a quem quer que seja,
não estás pronto.
não sejas como muitos escritores,
não sejas como milhares de
pessoas que se consideram escritores,
não sejas estúpido nem enfadonho e
pedante, não te consumas com auto-
-devoção.
as bibliotecas de todo o mundo têm
bocejado até
adormecer
com os da tua espécie.
não sejas mais um.
não o faças.
a menos que saia da
tua alma como um míssil,
a menos que o estar parado
te leve à loucura ou
ao suicídio ou homicídio,
não o faças.
a menos que o sol dentro de ti
te esteja a queimar as tripas,
não o faças.
quando chegar mesmo a altura,
e se foste escolhido,
vai acontecer
por si só e continuará a acontecer
até que tu morras ou morra em ti.
não há outra forma.
e nunca houve
domingo, 4 de agosto de 2013
Tempo, Temperos e Temporais
Quando o cinza é céu
ela é só, não há sol
em teu lençol
que é teu Romeu
por erro meu
que disse adeus
em oração
Parte 2 (...)quarta-feira, 24 de julho de 2013
Fio-me
-Como assim? Quer dizer então que está tudo por um fio?
- Veja bem, todas as relações, dinheiro e poder formam um chão no qual, ilusoriamente, achamos ser nossa base. Mas na verdade não estamos de pé, e sim pendurados. Por isso nunca caímos de fato quando perdemos o chão.
- Tem ideia do que pode ser feito esse frio que nos segura?
- Ah, é apenas uma teoria fajuta sobre a vida.. sabe? Daquelas com uma linda estrutura mas sem nada concreto.
- Pensando bem, quando todo o calor se vai é o frio que permanece conosco, o que realmente importa..
- É uma ótima forma de completar a estrutura.. Mas você realmente acredita que toda a complexidade da vida é mantida apenas por um rio?
- Talvez até o menor deles. No deserto qualquer filete d'água já é esperança.
- Veja só, no início dessa conversa era eu quem defendia essas teorias malucas.(risos)
- E você tinha razão, toda a vida está por um riso.
______________,,_____________
Texto brevemente inspirado nesse comercial muito criativo da TNT.
quarta-feira, 17 de julho de 2013
terça-feira, 14 de maio de 2013
Quando o cinza é céu
- Vamos! Pegue minha mão, rápido!
Ele se debatia tentando, desesperadamente, subir a bordo. Usava de todas suas forças, consumido pelo mais puro instinto, mas quanto mais tentava, mais se afastava do navio.
- Não adianta debater-se, é inútil! Você vai precisar de toda sua coragem pra sair dessa.
- Tenho medo! Diga-me o que fazer - Gritou, já quase se afogando.
- Esqueça tudo o que seu instinto lhe obriga a fazer agora e relaxe. É difícil mas preciso. Depois feche os olhos e segure minha mão.
E ele o fez. De uma hora pra outra todo o resto se apagou. Ele apenas sentia o flutuar do seu corpo em meio a imensidão do oceano.
Quando acordou do transe estava em uma praia. No horizonte, o navio onde estivera.
Sentou e perguntou-se se era louco ou são por ter segurado a mão do mar.
No navio és uma peça
nada mais
No mar tu és nada
mesmo que peça
Ainda que poça
por mais que penses
que és.
que és.
sábado, 12 de janeiro de 2013
About men and paper sheets
-Oi..
-Olá.
-Já faz tanto tempo que nem sei como começar..
-Está indo bem, sabe que não ligo pra isso. Até quando se arrepende de ter começado, pra mim, já vale a pena.
-Sinto-me mal por te dizer qualquer coisa, talvez seja esse meu problema.
-Sempre serei a mesma. Do jeito que for, gosto quando me muda.
-E eu gosto quando me ouve.
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
CiclolciC
neutro
nuvens
nortes?
(nothing)
neura!
sem eira
nem beira
ah! Besteira.
café
chaleira
cadeira
argumento
e sento
neutro
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
Sal Agosto
- Dúvida. Está ai uma palavra que me define.
- Não acha ela meio generalista?
- Acho. Generalizar é a essência de se definir. Ninguém gosta de se trancar muito. Se eu dissesse algo muito específico, por exemplo, correria o risco de me limitar demais.
- Sei disso. Não esperava uma resposta como 'alto' ou 'democrata' de você.
Mas o segredo não está na sua resposta, e sim onde ela se encaixa. 'Alto', por exemplo, seria uma resposta dentro de um universo referencial, comparativo. Portanto creio que o universo generalista se encaixa bem em você. Ou você nele..
- Então isso era um jogo..
- Desculpe.. - Risos.
- Mas então me diga, qual palavra te define?
- Panqueca.
- Não acha ela meio abstrata?
- Não ligo. Gosto de panqueca.
segunda-feira, 21 de maio de 2012
Sobreviser
Entro no metrô, exausto psicologicamente. Há algo sutilmente engraçado em tentar descansar a mente, isso quase sempre requer algum esforço; procuramos o lugar e a atmosfera certa. O metrô das 18 horas com certeza não é a melhor opção. Sento ao lado de um velho de cabelos negros e costeletas brancas. Olho para ele e o nome Rodrik me vem em mente. Ele, apesar da correria, parecia descansado.
- Este é o último expresso, o que deseja expressar? - Disse o velho.
- Não desejo nada além de café - Expresso. (...)
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
Aloe Vera
Os ponteiros giravam freneticamente, quase a me desafiar
Buzinas de carros sem freios avisavam que nao pretendiam parar
Sussurros de gritos ao longe discutem os erros do antecessor
E a colonia alimenta a rainha num sistema falho de afeto e de amor
E as folhas quebram quando se pisa
O vento passa pro beco uivar
Da sacada espetaculo de flashs e trovoes
trovam demais ao som da chuva
Sorrisos fracos alimentam o dia
O dia passa sem ninguém notar
Muitos se passam, ninguém se olha
Sem desculpas por não se importar...
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
A Bruxa do Céu Noturno
Não lembro quando o céu nublou
Não sei quando parei de andar
Minha vida é um dado que se lançou
em um incerto jogo de azar
Solitário preso no escuro
Procurando a porta pro amanhã
O dia chega e o cinza invade tudo
Não sei quando o tempo nublou
Não sei quanto tempo passou
Já é difícil me concentrar
com essas vozes
Quanto mais me perder no mar negro
do céu profundo
Com estrelas como lamparinas
iluminando o papel
Não sei quando parei de andar
Não sei quando parei de ouvir
Medroso comecei a fugir
pra onde a luz ainda brilha
Fugindo das sombras que tanto zelei
Fugindo das sombras que eu inventei
sábado, 6 de agosto de 2011
Corpus Christi
Hoje, hoje é um dia especial
Estou mais velho do que nunca e o mais novo que serei
Ainda movido pela eterna destruição
Onde está o indescritível amor das suas poesias?
Se perdeu dentro de seus conceitos tão formais.
Mas hoje, hoje! É dia de celebração
É o dia simbólico da baleia se vingar
o dia de matarmos mais um salvador
e de comer sua carne mais tarde
Onde está todo o bom senso que continha em seus anais?
está em anexo?
ainda hoje, tentarei viajar um pouco
procurar em fantasias o que desejo viver
Onde os dragões são mais frágeis
Ó pobre angústia que vejo em seu sorriso
Em lábios que seguram outro cigarro
que beijam amigos e também escarram
que copiam poetas em suas canções
Ah mas hoje vou encher o copo
Comemorar com orgulho o que o orgulho construiu
Ainda não consigo definir direito
o que é uma baleia mesmo?
do que me orgulho mesmo?
É só cavar um pouco mais pra poder rir
o quão ridículo tudo se tornou
Onde está aquele vívido gargalhar que era
o motivo da existência de todos até os 16?
O mais velho que foi.
O mais novo que será.
Hoje.
Estou mais velho do que nunca e o mais novo que serei
Ainda movido pela eterna destruição
Onde está o indescritível amor das suas poesias?
Se perdeu dentro de seus conceitos tão formais.
Mas hoje, hoje! É dia de celebração
É o dia simbólico da baleia se vingar
o dia de matarmos mais um salvador
e de comer sua carne mais tarde
Onde está todo o bom senso que continha em seus anais?
está em anexo?
ainda hoje, tentarei viajar um pouco
procurar em fantasias o que desejo viver
Onde os dragões são mais frágeis
Ó pobre angústia que vejo em seu sorriso
Em lábios que seguram outro cigarro
que beijam amigos e também escarram
que copiam poetas em suas canções
Ah mas hoje vou encher o copo
Comemorar com orgulho o que o orgulho construiu
Ainda não consigo definir direito
o que é uma baleia mesmo?
do que me orgulho mesmo?
É só cavar um pouco mais pra poder rir
o quão ridículo tudo se tornou
Onde está aquele vívido gargalhar que era
o motivo da existência de todos até os 16?
O mais velho que foi.
O mais novo que será.
Hoje.
terça-feira, 7 de junho de 2011
Snow falls down...
...and cover field and blood
Snow falls down and clears the view...
it's the same.
Snow falls down and clears the view...
it's the same.
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